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domingo, 6 de outubro de 2013




DESABAFO DE UM PROFESSOR DE TEOLOGIA SOBRE "LEVITAS", "APÓSTOLOS" E OUTROS MODISMOS - por Carlos Eduardo Calvani

DESABAFO DE UM PROFESSOR DE TEOLOGIA SOBRE "LEVITAS", "APÓSTOLOS" E OUTROS MODISMOS:

  
        Sou um professor de Teologia em crise. Não com minha fé ou com minhas convicções, mas com a dificuldade que eu e outros colegas enfrentamos nos últimos anos diante dos novos seminaristas enviados para as faculdades de teologia evangélica. Tenho trabalhado como Professor em Seminários Evangélicos presbiterianos, batistas, da Assembléia de Deus e interdenominacionais desde 1991 e, tristemente, observo que nunca houve safras tão fracas de vocacionados como nos últimos três anos.
No início de meu ministério docente, recordo-me que os alunos chegavam aos  seminários bastante preparados biblicamente, com uma visão teológica razoavelmente ampla,  com conhecimentos mínimos de história do cristianismo e com uma sede intelectual muito grande por penetrar no fascinante mundo da teologia cristã. Ultimamente, porém, aqueles que se matriculam em Seminários refletem a pobreza e mediocridade teológica que tomaram conta de nossas igrejas evangélicas.
Sempre pergunto aos calouros a respeito de suas convicções em relação ao chamado e à vocação. Pois outro dia, um calouro saiu-se com a brilhante resposta: "não passei em nenhum vestibular e comecei a sentir que Deus impedira meu acesso à universidade a fim de que eu me dedicasse ao ministério". Trata-se do mais típico caso de "certeza da vocação" adquirida na ignorância.  
E, invariavelmente, esses são os alunos que mais transpiram preguiça intelectual.
A grande maioria dos novos vocacionados chega aos Seminários influenciada pelos modismos que grassam no mundo evangélico. Alguns se autodenominam "levitas". Outros, dizem que estão ali porque são vocacionados a serem "apóstolos".
 
Ultimamente qualquer pessoa que canta ou toca algum instrumento na igreja, se auto-denomina "levita". Tento fazê-los compreender que os levitas, na antiga aliança, não apenas cantavam e tocavam instrumentos no Templo, como também cuidavam da higiene e limpeza do altar dos sacrifícios (afinal, muito sangue era derramado várias vezes por dia), além de constituírem até mesmo uma espécie de "força policial" para manter a ordem nas celebrações. Porém, hoje em dia, para os "novos levitas" basta saber tocar três acordes e fazer algumas coreografias aeróbicas durante o louvor para se sentirem com autoridade até mesmo para mudar a ordem dos cultos.
Outros há, que se auto-intitulam "apóstolos". Dentro de alguns dias teremos também "anjos", "arcanjos", "querubins" e "serafins". No dia em que inventarem o ministério de "semi-deus" já não precisaremos mais sequer da Bíblia.
Nunca pensei que fosse escrever isso, pois as pessoas que me conhecem geralmente me chamam de "progressista". Entretanto, ultimamente, ando é muito conservador. Na verdade, "saudosista" ou "nostálgico" seriam expressões melhores.
 
Tenho saudades de um tempo em que havia um encadeamento lógico nos cultos evangélicos, em que os cânticos e hinos estavam distribuídos equilibradamente na ordem do culto.  
Atualmente os chamados "momentos de louvor" mais se assemelham a show  ensurdecedores ou de um sentimentalismo meloso.
Pior: sobrepujam em tempo e importância a centralidade da Palavra e da Ceia nas Igrejas Protestantes. Muitas pessoas vão à Igreja muito mais por causa do "louvor" do que para ouvir a Palavra que regenera, orienta e exige de nós obediência. Dias atrás, na semana da Páscoa comentei com um grupo de alunos a respeito da liturgia das "sete palavras da cruz" que seria celebrada em minha Igreja na 6a feira da paixão. Alguns manifestaram desejo de participar. Eu os avisei então que se tratava de uma liturgia que dura, em média, uma hora e meia, durante a qual não é cantado nenhum hino (pelo menos na tradição de minha Igreja - Anglicana), mas onde lemos as Escrituras, oramos e meditamos nas sete palavras pronunciadas por  Cristo durante a crucificação. Ao saberem disso, um deles disse: "se não houver música, não há culto".
Creio que, em parte, isso é reflexo da cultura pop, da influência da "Geração MTV", incapaz de perceber que Deus pode ser encontrado também na contemplação, meditação e no silêncio. Percebo também que alguns colegas pastores de outras igrejas freqüentemente manifestam a sensação de sentirem-se tolhidos e pressionados pelos diversos grupos de louvor. O mercado gospel cresceu muito em nosso país e, além de enriquecer os "artistas" e insuflar seus egos, passou a determinar até mesmo a "identidade" das igrejas evangélicas. Houve tempo em que um presbiteriano ou um batista sabiam dar razão de suas crenças.
Atualmente, tudo parece estar se diluindo numa massa disforme. Trata-se da "xuxização" ("todo mundo batendo palma agora... todo mundo tá feliz ? tá feliz!") do mundo evangélico, liderada pelos "levitas" que aprisionam ideologicamente os ministros da Palavra. O apóstolo Paulo dizia que a Palavra não está aprisionada. Mas, em nossos dias, os ministros da Palavra, estão - cativos da cultura gospel.
 
Tenho a impressão de que isso tudo é, em parte, reflexo de um antigo problema: o relacionamento do mundo evangélico com a cultura chamada "secular". Amedrontados com as muitas opções que o "mundo" oferece, os pais preferem ter os filhos constantemente sob a mira dos olhos aos domingos, ainda que isso implique em modificar a identidade das Igrejas. E os pastores, reféns que são dos dízimos de onde retiram seus salários, rendem-se às conveniências, no estilo dos sacerdotes do Antigo Testamento.
 
Um aluno disse-me que, no dia em que os evangélicos tomarem o poder no Brasil acabarão com o carnaval, as "folias de rei", os cinemas, bares, danceterias etc. Assusta-me o fato de que o desenvolvimento dessa sub-cultura "gospel" torne o mundo evangélico tão guetizado que, se um dia, realmente os evangélicos tomarem o poder na sociedade, venham a desenvolver uma espécie de "Talibã evangélico". Tal como as estátuas do Buda no Afeganistão, o "Cristo Redentor" estará com os dias contados.
 
Esses jovens que passam o dia ouvindo rádios gospel e lendo textos de duvidosa qualidade teológica, de repente vêm nos Seminários uma grande oportunidade de ascensão profissional e buscam em massa os seminários. Nunca houve tanta afluência de jovens nos seminários como nos últimos anos.
Em um seminário em que trabalhei (de outra denominação), os colegas diziam que a Igreja, em breve teria problemas, pois o crescimento da Igreja não era proporcional ao número de jovens que todos os anos saíam dos Seminários como bacharéis em teologia, aptos para o exercício do ministério.
A preocupação dos colegas era: onde colocar todos esses novos pastores?
Na minha ingenuidade, sugeri que seria uma grande oportunidade missionária: enviá-los para iniciarem novas comunidades em zonas rurais e na periferia das cidades. Foi então que um colega, bastante sábio, retrucou: "Eles não querem. Recusam-se! Querem as Igrejas grandes, já formadas e estabelecidas, sem problemas financeiros".
De fato, percebi que alguns realmente se mostravam decepcionados ao saberem que teriam que começar seu ministério em um lugar pequeno, numa comunidade pobre, fazendo cultos nos lares, cantando às vezes "à capella" e sem o apoio dos amplificadores e mesas-de-som.
Na maioria dos Seminários hoje, os alunos sabem o nome de todas as bandas gospel, mas não sabem quem foi Wesley, Lutero ou Calvino.
 
Talvez até já tenham ouvido falar desses nomes, mas são para eles, como que personagens de um passado sem-importância e sobre o qual não vale a pena ler ou estudar.
Talvez por isso eu e outros colegas professores nos sintamos hoje em dia como que "falando para as paredes". Nem dá gosto mais preparar uma aula decente, pois na maioria das vezes temos sempre que "voltar aos rudimentos da fé" e dar aos vocacionados o leite que não recebem nas Igrejas. Várias vezes me vi tendo que mudar o rumo das aulas preparadas para falar de assuntos que antes discutíamos nas Escolas Dominicais. Não sei se isso acontece em todos os Seminários, mas em muitos lugares, o conteúdo e a profundidade dos temas discutidos pouco difere das aulas que ministrávamos na Escola Dominical para neófitos.
Sei que muitos que lerem esse desabafo, não concordarão em nada com o que eu disse. Mas não é a esses que me dirijo, e sim aos saudosistas como eu, nostálgicos de um tempo em que o cristianismo evangélico no Brasil era realmente referencial de uma religiosidade saudável, equilibrada e madura e em que a Palavra lida e proclamada valia muito mais que o último CD da moda.

De Londrina

e Coordenador do Centro de Estudos Anglicanos (CEA),
Carlos Eduardo Calvani

O que é TEOLOGIA REFORMADA

O que é TEOLOGIA REFORMADA
Por R. C. SPROUL

"...até mesmo a religião cristã pode ser idólatra, quando nós despimos Deus de seus verdadeiros atributos e colocamos no centro de nossa adoração algo que não seja o próprio Deus." (R. C. Sproul)

Transcrição

Em Romanos 1, o apóstolo Paulo diz que Deus revelou-se através das coisas criadas tão claramente, e tão manifestamente, que cada pessoa neste mundo conhece o eterno poder e a deidade de Deus. E ainda assim o pecado primário da raça humana é tomar esse conhecimento de Deus e puxá-lo para baixo, como diz o apóstolo Paulo em Romanos, suprimir a verdade pela injustiça, e então trocar esta verdade por uma mentira. E servir a criatura ao invés do Criador. A troca é entre o Incorruptível, Transcendente e Santo Deus pela corrupção de coisas semelhantes a criaturas. Em outras palavras, amigos, o mais básico pecado que nós, não apenas pagãos em terras longínquas aborígenes ou em tribos primitivas, mas que nós cometemos, é o pecado da troca, a propensão à idolatria. E idolatria envolve religião.
Mas até mesmo a religião cristã pode ser idólatra, quando nós despimos Deus de seus verdadeiros atributos e colocamos no centro de nossa adoração algo que não seja o próprio Deus.
Se formos olhar para a essência da Teologia Reformada, eu tenho que dizer a vocês que o foco mais rigoroso da Teologia Reformada é na teologia! No conhecimento do Deus Verdadeiro.
Nós vivemos numa época em que as pessoas dizem que a teologia não é importante. Era isso que David Wells estava desacreditando em seu livro “Sem Lugar para a Verdade”. O que interessa é se sentir bem. Ser ministrado em nossas necessidades psicológicas. Ter um lugar onde possamos sentir o calor e a comunhão, e ter um senso de pertencer a algum lugar e relevância. E teologia é algo que divide. Algo que atiça controvérsias e debates. Dizem: “Nós não precisamos de doutrina! Precisamos de vida!”
No coração da Teologia Reformada está a afirmação de que teologia é vida. Pois teologia é o conhecimento de Deus. E não há conhecimento mais importante para informar nossas vidas do que o conhecimento de Deus.
É disso que se trata toda a Reforma. Havia escândalos no clero, havia problemas de imoralidade, tanto entre o povo católico romano, quanto entre o povo protestante. E Lutero naquele tempo disse: “Erasmo ataca o Papa em sua barriga, eu o ataquei em sua doutrina.” E Lutero ainda admitia que se encontrava comportamento escandaloso entre nosso próprio povo, mas o que nós estamos tentando fazer em primeiro lugar é chegar a um são entendimento de Deus. Pois nossas vidas nunca serão reformadas, nunca serão trazidas à conformidade com Cristo, antes de termos um claro entendimento da Forma Original, do Modelo, do Ideal, da verdadeira humanidade que é encontrada em Cristo. E isso é uma questão de teologia. Então comecem com o claro reconhecimento de que a fé reformada é uma teologia. Uma teologia que permeia toda a estrutura.

Sim a guitarra


Sim a guitarra

(Nova Friburgo 18/07/93)

Sim á guitarra

Não á algazarra

Sim á bateria

Não á anarquia

Sim ao contrabaixo

Mas, alto, não te encaixo

Se a tua banda

Á todos espanta

E o teu conjunto

Faz sair do assunto

Algo em ti está errado

Eu te digo: tá amarrado!

Não me chame de radical

Pois há efeito colateral

Isto não é tradicionalismo

Muito menos fanatismo

Mas, se não quer a retaguarda

Examine-se!

E venha para a vanguarda!


De Marcelo Gesta

GARIMPANDO A POESIA


GARIMPANDO A POESIA
Alto de Vieira, 24/03/95
de  MArcelo GEsta



Onde quer que eu esteja andando

Ainda que preocupado

Em como começar estou pensando

Algo que me deixa compenetrado


Não importa o lugar

Se é feio ou belo

Eu quero é destilar

O sentimento que eu anelo


Se for noite ou dia

No mar ou na montanha

Tarde quente ou manhã fria

Escrever é a façanha


Contando histórias ou descrevendo cenas

Até sobre gente má ou boa

Quero abrir o coração apenas

E não deixar a mente á toa


Das idéias, palavras extrair

Que expliquem situações

Tentando ao máximo exprimir

Esta usina de emoções


Sim, a poesia estou garimpando

No exercício do romantismo

O momento e a imagem degustando

Com autenticidade e altruísmo


Minha obra e minha rima

Têm uma virtude de ser

Feita em prol da estima

Não do que quero dizer


Mas, o que quero demonstrar

Não é fácil de se explicar

Pois é algo sem par

Deus é quem eu quero louvar!


Não tenho razão de ser

Se não for para descrever

O que não pode se ver

Mas, que é possível de se ter


A certeza de um DEUS supremo

Que de tudo é o autor

E com seu poder estremo

Nos deslumbra com seu amor

Querido amigo,

Enquanto aqui serei para Ti

Mas, quero um dia estar contigo

Contemplando para sempre ao que nunca vi.

 ***

Á todos aqueles que se empenham na Obra de DEUS, seja com risos ou com lágrimas, nos momentos de tristeza e nos momentos de alegria.



UM LEVITA



Um levita
 (Nova Friburgo, 18/07/93)
de  MArcelo GEsta


Um levita

Quando adora

Não “levita”

Mas na hora

Se agita

Quando aflora

Tua graça

Que atua

E não passa

E flutua

Nesta paz

Que me só tua

Um levita

Quando louva

Ele evita

A vaidade

No lugar

Da humildade

A indisciplina

Que sua santidade

Toda elimina

E o orgulho

Que faz dele

Um entulho.

de Marcelo Gesta