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domingo, 13 de outubro de 2013

O DESABAFO de ERASMO de ROTTERDAM - parte 4


O DESABAFO de ERASMO de ROTTERDAM - parte 4
 
 
   "São igualmente loucos, aqueles homens que se divertem escutando histórias milagrosas ou de prodígios fantásticos e jamais se cansam de ouvir fábulas, em que se contam acontecimentos portentosos de espectros, fantasmas, assombrações, dos infernos ou de outras inúmeras coisas do tipo. Quanto mais as fábulas se afastam da verdade, com maior prazer nelas creem, com maior volúpia fazem cócegas nas orelhas. Essas histórias são, não só um bom passatempo contra o tédio, mas, também, uma fonte de lucros, sobretudo para os sacerdotes e demagogos.
   Ótima coisa é nada saber, se os mortais tudo desaprovam salvo a loucura. Por que embarcar em um mar de superstições? Tivesse eu cem línguas, cem bocas e uma voz de ferro, não poderia enumerar todos os tipos de loucos e nem todos os nomes da loucura. Tão abundantes são estas extravagâncias na vida dos cristãos; e os próprios sacerdotes estão prontos para aceita-las e encorajá-las, pelo lucro que costumam trazer."
ERASMO de ROTTERDAM - Elogio da Loucura


O DESABAFO de ERASMO de ROTTERDAM - parte 3

 
O DESABAFO de ERASMO de ROTTERDAM - PARTE 3


       "De todas as ciências, as mais apreciadas são as mais próximas da loucura – os teólogos têm fome, os ricos passam frio, os astrólogos são ridicularizados e os dialéticos desprezados. Enquanto os negócios estão sob o poder de “asnos”, que não param de expandir seus latifúndios, os teólogos – os quais documentam todos os aspectos da divindade – rói tremoços, empenhado numa guerra sem trégua contra os percevejos e os piolhos. Todavia, as artes mais afortunadas são as mais próximas da loucura.
   Quanto mais distante da arte, melhor se vive, principalmente, quando se tem apenas a natureza como mestra e guia. O produto da natureza é melhor do que o que a arte adulterou. Enquanto todos os animais estão contentes com seus limites naturais, só o homem tenta ultrapassar os limites de sua condição.
    Os menos infelizes, são os mais próximos do instinto e da estupidez dos brutos e que jamais tentam ultrapassar as capacidades de um homem."
Elogio da Loucura - Erasmo de Rotterdam
 
 
 
 

 
 
 

O DESABAFO de ERASMO de ROTTERDAM - parte 2

 
O DESABAFO de ERASMO de ROTTERDAM - parte 2
 
Em sua viagem de volta de Itália à Inglaterra, Erasmo de Rotterdam reflete sobre os momentos agradáveis que passara com amigos, mas, em especial com Thomas Morus, o melhor dentre todos.
Neste momento de saudade e inspiração é que, em virtude da semelhança do nome se ilustre amigo – Morus – com o termo grego moría (loucura), surge a obra O Elogio da Loucura. Ainda que todo testemunho de vida de Morus, nada tenha a ver com a propriamente dita loucura, o que então teria sido feito como um tipo de brincadeira, com o virtuoso e nobre amigo, todavia com o intuito de criticar os que o fizeram tão mal.
Erasmo ainda cita haver a possibilidade, neste momento, de haverem detratores caluniadores que o condenem como um teólogo irresponsável, por estar usando um estilo literário antigo do mundo helênico – a comédia – o qual muitos autores clássicos fizeram uso, como por exemplo, Homero, Virgílio, Sêneca, São Jerônimo e tantos outros, mas que seus algozes, por conheceram-no bem, até poderiam não enxergar, por trás de tais “brincadeiras”, assuntos tão relevantes e sérios, os quais não estavam sendo aludidos pela retórica e pela filosofia de então.
Erasmo explica estar fazendo o elogio da loucura, não como um louco, nem como ataque raivoso, apesar de saber que suas palavras despertariam mais a incompreensão e a ira de seus alvos que sua lúcida compreensão – ainda que não usasse acusação pessoal, ou mesmo os “comuns palavrões” de São Jerônimo em seus escritos.


O DESABAFO de ERASMO de ROTTERDAM - parte 1


O DESABAFO de ERASMO de ROTTERDAM - parte 1
 
     Poucos, como Erasmo de Rotterdam, conseguiram transparecer ou exprimir um desabafo tão profundo, inteligente e incrivelmente atual, sobre a realidade da igreja, do clero e dos cristãos de sua época, como o exposto em seu célebre e atualíssimo 'ELOGIA da LOUCURA'.
      A partir daqui postarei alguns dos momentos que achei mais relevantes - embora todo o livro o seja - sobre o desabafo de Erasmo a respeito aquilo que, desde sua época, já enojava os homens de DEUS seriamente envolvidos em Sua causa, mesmo que o simples exprimir-se pudesse ser, literalmente, uma questão de vida ou morte.
      Quem foi Erasmo 
     O sábio e estudioso holandês Erasmo de Roterdam (ou Desidério Erasmo - 1466-1536) foi um escritor holandês, cujas ideias humanistas deixaram marcas importantes no pensamento liberal e progressista do Renascimento. Nascido em Roterdã, suas idéias sintetizaram o pensamento liberal e progressista da época. Ele estudou na Holanda e em Paris antes de viajar, em 1498, para a Inglaterra, onde estudou grego na Universidade de Oxford. Seu primeiro tratado teológico, o Manual do Cavaleiro Cristão, foi publicado em 1503, pouco antes de ele partir para Veneza e Roma, onde seria recebido pelo papa Júlio II. Os escritos de Erasmo eram populares devido à sua imaginação inteligente e ao seu estilo claro e descritivo. Embora isso fizesse com que ele atraísse um grande número de inimigos poderosos em função de suas sátiras. Entre seus trabalhos mais importantes estão o Elogio da Loucura (1509), no qual a "loucura" discursa para uma audiência imaginária composta por pessoas de vários tipos; De Duplici Copia Verborum et Rerum (1511), um texto de retórica para os estudiosos do latim; Os Pais Cristãos (1521); Colóquios Familiares (1516-1536); De Libero Arbitrio (1526), um panfleto satirizando Martinho Lutero; As Navegações dos Antigos (1532), uma série de contos; e Preparação para a Morte (1533).