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domingo, 20 de outubro de 2013

O que pretendemos dizer com TEOLOGIA REFORMADA – parte 1




Parte 1 O que pretendemos dizer com TEOLOGIA REFORMADA
Por Marcelo Gesta

1.      Definições precedentes sobre termos-chave:

a) TEOLOGIA: ciência que tem por objeto os dogmas e os preceitos religiosos da moral; tratado de DEUS; doutrina da fé cristã. Formada por dois vocábulos gregos: Theos = Deus; Logia = tratado, estudo, portanto, theos + logia = teologia = “tratado-estudo de DEUS”. Observação: Uma vez que a mente humana não pode abarcar o infinito, e visto ser DEUS infinito, então, conclui-se que teologia é o estudo dos atributos, das características e das qualidades de DEUS, reveladas por ELE mesmo;
b) SISTEMA: conjuntos de partes e princípios coordenados e ligados entre si e que formam um todo harmônico;
c) SISTEMÁTICO: relativo ou conforme á um sistema; metódico; o que é composto ou ordenado;
d) TEOLOGIA SISTEMÁTICA: é a divisão ou sistematização da Teologia em assuntos bíblicos e/ou dogmáticos. Ex.: Teologia; Cristologia; Pneumatologia; Bibliologia; Soterologia; Escatologia;
e) DOUTRINA: conjunto de princípios de uma escola literária ou filosófica; conjunto de dogmas de uma religião; catequese cristã; opinião de autores.[1] Ensinamento; mandamento; preceito; princípio;
f) APÓSTOLOS: evangelizador, enviado, missionário. O grupo dos 12 escolhidos pelo Senhor Jesus Cristo, dentre vários discípulos[2] que, posteriormente, teve acrescentado ao mesmo o apóstolo Paulo[3].
g) DOUTRINA dos APÓSTOLOS: a doutrina ou as doutrinas – do Senhor Jesus Cristo – apreendidas, aprendidas, postas em prática, afirmadas e ensinadas pelos apóstolos do Senhor Jesus Cristo, as quais estão expostas na Bíblia, em especial no Novo Testamento.

2.      Considerações preliminares:

2.1.Sobre a doutrina de Jesus Cristo a Bíblia também diz que:

Jesus lhes respondeu: Meu ensino não é meu, mas Daquele que me enviou’. João 7:16 (ARA).

Ensinava-lhes muitas coisas por parábolas, e lhes falava em sua doutrina’. Marcos 4:2 (ARA).

Ao concluir estas palavras, as multidões se admiraram de sua doutrina, porque Ele ensinava com autoridade, e não como os escribas’. Mateus 7:28,29 (ARA).

Conclui-se com os textos acima que:
a)  A verdadeira doutrina é a que vem de DEUS;
b) Esta é a ensinada, no Novo Testamento, primeiramente, por Jesus Cristo;
c) A verdadeira doutrina causa um impacto transformador positivo em quem a ouve;

2.2.Sobre a doutrina dos apóstolos a Bíblia também diz que:

E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos, e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a DEUS, e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos’. Atos 2: 42 á 47 (ARA).

Conclui-se com o texto acima que:
a) Neste momento da história da Igreja Cristã, já havia um corpo de doutrinas – as ensinadas por Jesus Cristo – constituídas, estabelecidas e instituídas pelos apóstolos;
b) Essas doutrinas eram o único referencial que ensinava e determinava a diferença entre aquilo que era realmente revelação e manifestação de DEUS e o que era pura superstição e/ou heresia;
c) Essas doutrinas uniam os conversos de tal forma que geravam uma comunhão total entre os mesmos;
d) Essas doutrinas ensinavam que o ser é superior ao ter e, assim, não havia necessidades entre os conversos;
e) Essas doutrinas levavam os conversos a cultuarem da forma correta e agradável a DEUS;
f) Essas doutrinas traziam em si um projeto de transformação e construção social e espiritual tão linda, positiva, real e legítima aos conversos, que faziam com que mesmo os observadores não conversos simpatizassem com ela – a doutrina dos apóstolos (que na verdade era a doutrina de Jesus Cristo). Aquela igreja – que seguia a doutrina dos apóstolos – tinha alguma coisa de lar, de templo, de hospital, de escola, de felicidade, portanto, ela era relevante para a comunidade que vivia a sua volta;
g) Essas doutrinas faziam com que houvesse o desenvolvimento de um ambiente espiritual, social, pedagógico e cultural tão saudável dentro da comunidade dos conversos, que esta passou a ser o lugar onde DEUS enviava outros(as) para serem discipulados(as) e tratados(as) pelo Espírito Santo de DEUS.

3.      Havia, portanto, a doutrina apostólica:

Esta doutrina dos apóstolos foi, durante muito tempo, a única verídica e saudável teologia que a igreja primitiva ou da antiguidade conheceu, e quase todos os teólogos e historiadores da igreja cristã são unânimes em concluir que este é considerado o apogeu da mesma igreja. Também durante o período de terrível perseguição pelos quais os cristãos da antiguidade passavam, por serem fieis a Cristo e a sã doutrina – sendo por sua fé e práticas presos, torturados, queimados vivos ou mesmo despedaçados por feras em arenas romanas – não desistiam nem abdicavam dos ensinos da Palavra de DEUS e, se preciso fosse, morriam convictos, felizes e louvando ao Salvador de suas vidas, O Senhor Jesus Cristo.
Todavia, com o passar dos tempos, e por razões diversas, vão surgindo deturpações, acréscimos e decréscimos nos ensinos de Jesus Cristo, os quais formavam e formam as chamadas heresias. Assim, “novas doutrinas” e “teologias vão sendo inventadas”, a igreja vai se dividindo em função dos novos credos, os cristãos passam de perseguidos a perseguidores, se antes se morria em nome de cristo, posteriormente (por volta do século IV) passaram a matar em nome de Cristo, assim os cristãos deixam de ser admirados e passam a serem temidos. Ser cristão a partir daí, mais do que ser uma questão de verdadeira conversão ou uma convicção espiritual e doutrinária, era “uma garantia de vida ou de sucesso”, pois ainda que O Senhor Jesus tenha dito que seu Reino não era deste mundo, foi o cristianismo transformado politicamente em religião oficial.
O período histórico em que se diz ter sido “o melhor ou de maior predomínio do “cristianismo””, ou seja, a Idade Média, por exemplo, foi um dos piores momentos para a história da humanidade, pois muito dos problemas gerados naquele período foi em função de muitas das práticas e “doutrinas católicas apostólicas romanas” espúrias a Palavra de DEUS: foi um tempo cheio de perseguições, superstições, misérias, guerras, pestes, tiranias e afins. Portanto, em se falando de verdadeiro e único cristianismo – aquele que tem como fonte teológica a doutrina dos apóstolos – foi, na verdade, uma das piores ocasiões para os fieis servos de DEUS que amavam a Sua Palavra. Há de se observar, também, que a partir da Idade Moderna, quando os protestantes, e mesmo os chamados anabatistas, se desviavam da sã doutrina apostólica, da mesma forma cometiam atrocidades contra a Palavra de DEUS e contra o ser humano.
Não é do empreendimento deste trabalho dissertar sobre as diversas informações a respeito do que, quando, quais, como, onde e com quem se deram as deturpações teológicas surgidas e vindas, durante a história da humanidade até nós, até por que faltaria tempo e espaço para tal, basta uma boa pesquisa em fontes bibliográficas que tratam da História da Igreja Cristã e da História do Pensamento Cristão para se chegar a uma conclusão. Assim sendo, deter-me-ei sobre o assunto Teologia Reformada.
Diante de tantas deformações pela qual passou a verdadeira teologia bíblica, a qual havia sido inspirada na doutrina apostólica, com o passar dos tempos foram surgindo teologias diversas, algumas delas ainda que dissidentes, são legítimas e, obviamente, houve também acertos teológicos bíblicos, uma vez que de uma forma ou de outra, muitos teólogos e leigos partiram de afirmações bíblicas e do interesse de se estar o mais próximo possível das verdades teológicas bíblicas. Assim tivemos e temos hoje, por exemplo:
a) Diversas confissões doutrinárias de fé ou credos: credo niceno, credo católico apostólico romano, confissão de fé dos Valdenses, confissões de fé dos anabatistas, confissão de fé de Westminster, declaração doutrinária presbiteriana, declaração doutrinária metodista, declaração doutrinária congregacional, declaração doutrinária batista, confissão de fé belga, as “Cinco Solas” etc.;
b) Diversas escolas de teologia: Católica, Luterana, Calvinista, Arminiana, Zwyngliana, Evangélica etc.
c) Diversos grupos teológicos: Fundamentalista, liberal, ortodoxo, neo-ortodoxo;
d) Diversos métodos hermenêuticos e exegéticos: fundamentalista literal, método histórico-crítico, método crítico-literário, alta-crítica etc.;
e) Diversos tipos de teologia: teologia da prosperidade, teologia da libertação, teologia feminista, teologia contemplativa, teologia do evangelho social, teologia integral, teologia pentecostal, teologia relacional ou teísmo aberto, teologia ou teologias antigas ou dos pais da igreja, teologia ou teologias medievais, teologia ou teologias modernas, teologia ou teologias contemporâneas etc.;
Logo, em virtude destes e de outros ensejos, hodiernamente temos a necessidade de uma nova reforma teológica, que parta da Bíblia, que transite dentro da Bíblia e que retorne ou aponte sempre para a Bíblia – o registro escrito da revelação especial da Palavra de DEUS.

4.Definindo termos-chave a respeito da TEOLOGIA REFORMADA

a) Reforma / Reformado: do latim ‘reformare’ = formar de novo, mudar, alterar. Mais a junção da preposição grega ‘re’ = de novo, novamente + ‘formare’ = forma, aspecto, aparência. Portanto, a palavra reformado, também, vem do latim ‘reformatu’ = tornado a primeira forma, e do particípio passado ‘reformare’ = dar a primeira forma a, restabelecer, mudar, reformar.
b) Teologia Reformada é um retorno à teologia Jesuína, pura[4] e apostólica do Novo Testamento, é um transformar as teologias adulteradas em teologia original. Aliás, a função da Teologia, juntamente com a exegese e a hermenêutica não é criar coisas novas, mas sim, voltar ao texto original, lá atrás, “bem no fundo”, como o trabalho de um arqueólogo garimpando informações do passado. A verdade teológica encontra-se no Texto Sagrado original, na primeira forma e não na criatividade geradora de novidade. Portanto, teologia reformada é muito mais do que, apenas, luteranismo, ou zwinglianismo, ou mesmo calvinismo. Teologia Reformada fala muito mais que, apenas, doutrina da salvação, pois trata, de forma integral todas as doutrinas bíblicas e suas totais interligações não estando nenhuma doutrina bíblica isolada das demais;
c) Teologia Reformada é aquela ortodoxa[5], encontrada no Novo Testamento, desprovida de qualquer tipo de utilitarismo[6] ou hedonismo[7], o centro não é a vontade do indivíduo, mas sim, a vontade soberana de DEUS.




[1] Torrinha, Francisco. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Porto: Editora Domingos Barreira. 1942.
[2] E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos. Lucas 6: 13 – ARA.
[3] Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus. Romanos 1:1 – ARA.
[4] Do latim ‘putitas’ = pureza; do latim ‘purus’ = limpo, sem mistura, casto.
[5] Do latim ‘orthodoxus’, e do grego ‘orthodoxos’ = aquele que tem opinião certa; de ‘ortho’ = reto, verdadeiro, correto; mais a palavra grega ‘doxa’ = opinião, elogio; e/ou ‘dokein’ = aparentar, parecer.
[6] Utilitarismo: é a exacerbação do valor daquilo que é útil para um só grupo determinado. No utilitarismo o certo é o que é útil e imediato de acordo com os interesses do maior número de pessoas, independente de suas consequências e dos valores morais envolvidos, ainda que estes passem por cima dos interesses de outro indivíduo ou grupo de indivíduos.
[7] Hedonismo: é a exacerbação do valor daquilo que é útil para um só indivíduo. No hedonismo o certo é o que é útil, bom e agradável de imediato para o próprio indivíduo, independente dos valores morais envolvidos e dos interesses das pessoas a sua volta, bem como das consequências que daí possa surgir deste egocentrismo exacerbado.