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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ter algo pelo que lutar - de Marcelo Gesta


Ter algo pelo que lutar
(Nova Friburgo/12/04/95)
                                          
Ter algo pelo que lutar
Ou qualquer coisa estar fazendo
Ainda que esteja apenas no planejar
É melhor que estar parado esmorecendo


Ter algo pelo que lutar
E algo mais estar querendo
Temos sempre que avançar
Senão estaremos retrocedendo

Eu almejo a vanguarda
O comum não me contenta
Não ficarei na retaguarda
Só vence aquele que enfrenta.


Muito fácil eu me canso
De toda a chata mesmice
Vou me livrar de todo este ranço
Pra não cair na meninice
Para que o meu passado
Não me deixe para traz
Quero no presente estar disciplinado
Para no futuro eu ser capaz.


A mudança ou a melhora
Não devem ser uma utopia
Investirei no desenvolvimento agora
E farei dele uma franquia.
Eu pretendo inovar
Quero usar o antigo útil
A mentalidade arcaica mudar
Mas livrar-me, também, do novo fútil

Quero aprender algo especial
O mínimo que for é essencial
Pois o saber será fundamental
Para que eu seja um bom referencial.


O meio será a versatilidade
E o combustível o idealismo
No fim, haverá originalidade
Pois terei muito altruísmo

O Universo parece pequeno
E o mundo, um pouco menor
Onde encontrarei tanto terreno?
Minha vontade parece maior.


Ter algo pelo que lutar
Ou mesmo só para sonhar
É muito bom eu imaginar
Que um dia o vou alcançar


O desafio eu amarei
O inesperado eu vencerei
 Com O meu Deus conseguirei
Pois Jesus Cristo é o meu Rei.




De Marcelo GEsta

3 poesias de J. T. Parreira


3 poesias de J. T. Parreira

DE TI AMAREI TUDO

De Ti amarei tudo, o olhar
vestindo de esmeraldas
um pobre como Lázaro
Até a angústia
transparente do cálice
de Ti amarei as rosas do Jardim
únicas estrelas dessa noite

De Ti amarei tudo, o suor
iluminando o rosto
a tua cabeça voluntária
numa coroa de espinhos

Amarei tudo, até
as sandálias
em que Judas escondeu
os passos do destino.




CARREGO O SILÊNCIO NA BAGAGEM

I carry silent baggage. 
Herta Müller

Eu carrego a leveza do silêncio
na minha bagagem, o silêncio 
dos olhos do cego Bartimeu
um silencioso pacote de palavras
à espera de coisas surpreendentes
E vou levando o silêncio
como uma pequena mala de outros
que falam sob a arquitrave do dia
a dia, mesmo assim posso escutar a neve
que é o vento em flocos
e o sonho do menino na almofada
que é um lugar em paz 
ou mesmo ouvir uma lágrima
que é o silêncio da alma
e carrego nos olhos 
uma bagagem silenciosa.


SALMO 54

Inimigos dissimulam-se nas sombras
e no mais leve arbusto
a explosão do vento assusta-me
estranhos fortalecem as mãos
com rancor para tirar-me a vida
A minha oração é o meu escudo
ó Deus, levanta-me do chão dos tiranos
para me esconder nos teus ouvidos.


  in "Cânticos Suplicantes"