Siga-me

domingo, 9 de março de 2014

O Problema do MAL e a questão do Servo-Arbítrio - de Marcelo Gesta

O Problema do MAL e a questão do servo-arbítrio
Por Marcelo Gesta – 26/02/2014

1.     Deliberando sobre alguns termos-chave:

1.1.                    Liberdade

Muitos dicionários definem liberdade das seguintes formas, dentre outras: a condição de uma pessoa poder dispor de si quando bem entender; ou a competência para cometer ou deixar de cometer uma atitude quando quiser, ou o livre-arbítrio; ou a capacidade de praticar tudo aquilo que não é proibido por lei; ou o uso dos direitos do homem livre. Por conseguinte, livre arbítrio seria a capacidade de livre escolha do ser humano, ou escolher independente de influências externas e si mesmo.
Todavia, existiria realmente a tal liberdade? Será que todos os conceitos de liberdade que se possam ter, vindo de indivíduos de diferentes épocas, culturas, sexos diferentes, de faixas etárias diferentes, de condição econômica diferente, poderiam chegar a mesma conclusão? Certamente que não! Pois em cada época, em cada cultura, ou onde quer que seja que se encontrem diferenças de ideias, também aí, encontrar-se-ão conceitos diferentes sobre a mesma liberdade, se é que existe uma só liberdade, ou haveria liberdades?! Daí, o porquê de uma definição prévia e sucinta como a que temos acima. Por nosso objeto de analise não ser a liberdade, avançaremos em nosso foco: onde o problema do mal incide sobre o conceito de servo-arbitrariedade.

1.2.                    O Indivíduo com seu “cada-um”

Cada indivíduo, ou seja, aquele que se percebe como pessoa humana, a parte de todos os outros indivíduos e objetos a sua volta, tendo consciência de si mesmo, possui seu exclusivo “cada-um”. Por sua vez, este “cada-um”, encontrado em qualquer indivíduo é constituído da somatória de outros “cada-uns” pertencentes a outros indivíduos, os quais são assimilados, a partir das interações, havidas durante todo seu desenvolvimento e existência, e em muito deste seu singular “cada-um” existe a imagem e semelhança a DEUS. Assim, embora seja singular, todo indivíduo humano, possui um “cada-um” particular, estabelecido a partir de sua própria pessoalidade, que vai desenvolvendo-se juntamente com as interações que se tem com outros indivíduos humanos, os quais tiveram com outros da mesma forma, e “puderam absorver” o “cada-um”, umas das outras, que por sua vez foram “absorvidos de outras” e, anteriormente, de outras, e assim sucessivamente, cultivando dessa forma inúmeros outros “cada-uns” ou individualidades, pois a individualidade pessoal é formada, construída, também, pelas individualidades de outros. O que denota aí, também, a serva arbitrariedade na própria constituição da personalidade humana, pois o que se é não é uma escolha livre.

1.3.                    Servo-Arbítrio

Concluímos previamente até aqui, pelo menos duas coisas, que:
a.     Depois que a pessoalidade de si mesmo é observada em si própria na mais tenra idade, ninguém a partir daí é desenvolvido independentemente de outros indivíduos a sua volta. Seus gostos, preferências, vontade, sentimentos e raciocínios sempre se ajustarão de acordo com a cultura na qual foi criado, e só mudará isto se tiver, juntamente com sua determinação pessoal, a influência de outros indivíduos de outras culturas;
b.     Envolto em tantas interações que independem de sua vontade própria, sua arbitrariedade sempre está ligada á um estímulo que é anterior as suas escolhas, pois só pode ser escolhido o que, de uma ou outra configuração, é colocado diante de nós, uma vez que não se escolhe o que não se conhece, o que nunca se soube, o que nunca se “viu”, o que nunca se imaginou, e a imagem é uma cópia de algo que se percebeu anteriormente. Portanto, seu arbítrio é servo dos estímulos a sua volta, ou, somente daquilo que se tem diante de si ou interagindo consigo próprio.
Se em volta de nós há um universo de possibilidades infinitas, todavia diante de nós, há somente um mundo de algumas opções viáveis, com estes ingredientes podemos até formular variações diversas, porém, em meio a essas concluímos apenas uma escolha adequada. “Nada se cria, tudo se copia”. A Bíblia diz:

São estas as palavras do Sábio, que era filho de Davi e rei em Jerusalém.
É ilusão, é ilusão, diz o Sábio. Tudo é ilusão. A gente gasta a vida trabalhando, se esforçando e afinal que vantagem leva em tudo isso? Pessoas nascem, pessoas morrem, mas o mundo continua sempre o mesmo. O sol continua a nascer, e a se pôr, e volta ao seu lugar para começar tudo outra vez. O vento sopra para o sul, depois para o norte, dá voltas e mais voltas e acaba no mesmo lugar. Todos os rios correm para o mar, porém o mar não fica cheio. A água volta para onde nascem os rios, e tudo começa outra vez. Todas as coisas levam a gente ao cansaço – um cansaço tão grande, que nem dá para contar. Os nossos olhos não se cansam de ver, nem os nossos ouvidos, de ouvir. O que aconteceu antes vai acontecer outra vez. O que foi feito antes será feito novamente. Não há nada de novo neste mundo. Será que existe alguma coisa de que a gente possa dizer: “Veja! Isto nunca aconteceu no mundo”? Não! Tudo já aconteceu antes, bem antes de nós nascermos. Ninguém lembra do que aconteceu no passado; quem vier depois das coisas que vão acontecer no futuro também não vai lembrar delas. Eclesiastes 1:1 Á 11 – NTLH.

Portanto, não somos livre-arbitrários, pois estamos submetidos àquilo ou àquele que vem antes ou que está diante de nós, sejam como ou por duas ou mais opções, uma vez que não se escolhe uma pseudo-opção, ou uma que não exista. Então, somos mordomos destas alternativas, somos administradores de opções, e não inventores de opções. As opções que temos diante de nós é que dão ocasião ao servo-arbítrio, são apenas alternativas naturais em um ambiente que nos encontramos, e passamos por vários tipos de ambientes durante nossa existência. Ao contrário de opções, que são colocadas diante de nós, o que acontece em um processo natural, há o contrário disso, ou seja, a imposição, a qual é colocada artificialmente, como coação ou repressão diante de nosso arbitrar, anulando-o. Opções é algo natural, imposição é algo artificial. Diante de opções escolhemos uma ou algumas de acordo com a quantidade e qualidade – exercemos nosso servo-arbítrio. Porém, diante de uma imposição ou imposições somos obrigados ou determinados a escolher o prescrito pelo outro, e isso vai contra a pessoalidade individual, o que nem mesmo é escolha.
Assim, definimos o servo-arbítrio como: a capacidade que o ser humano tem, individualmente e pessoalmente, de fazer escolhas ou arbítrios particulares, os quais por serem influenciados por fatores diversos e anteriores a sua arbitrariedade não são livres, mas que, todavia, não tem os resultados determinados por um agente específico, uma vez que percebe-se claramente resultados diferentes diante dos mesmos estímulos aplicados em sujeitos dessemelhantes, e que por tais conclusões nota-se não haver determinismo. A isso chamamos servo-arbítrio.
 
1.4.                     O MAL

As analises que podem ser feitas sobre o problema do mal nos remete a uma imensidão de abordagens e conclusões, até mesmo o próprio vocábulo problema nos constitui um problema a ser definido, ou seja, o que realmente seria um problema? Porquanto tudo pode ser elevado à categoria de problema, desde que se faça uma pergunta ou interrogação a respeito de algo ou alguém. Eis aí já na expressão problema um ótimo objeto de analise. Assim, é um problema tentar determinar o que é um problema, tanto quanto o é conceituar o mal.
As perguntas e questionamentos sobre o mal e suas consequências são infinitos, e a maioria sem respostas! Entretanto, tal desvantagem não nos intimida na busca de respostas, ainda que estejamos cientes de que encontraremos somente algumas. Logo, não tentarei aqui neste artigo abranger extensamente as questões referentes ao mal: qual sua origem, sua intensidade, seu contrário, sua constituições etc., porém, basicamente e de forma breve, nos deteremos na missão de tentar analisar e/ou definir quando o mal interfere no arbitrar dos seres humanos.
Usando a simplicidade de Mircea Eliade em definir o profano, ele diz: “o profano é o contrário do sagrado”. O Mircea conseguiu atingir seu intento, basta ler seu livro O Sagrado e o Profano. Então diria eu que: o mal é o contrário do bem, ou aquilo que de forma alguma o bem se observa ou se manifesta. Porém, isso é simplista ou reducionista demais. Todavia, poderíamos continuar concatenando: O que seria o mal? O mal existe realmente? Ora, não é preciso muito esforço para observar em nossa volta as manifestações do mal. Todo mal é aquilo que me faz mal e mau? Ou até que ponto o que me faz mal ou mau são, de fato, mal ou mau também para outra pessoa, ou mesmo em outra circunstância ambos – mal e mau – são para mim? Miserável homem que sou, quando estou diante do mal o reconheço prontamente, ainda que algumas vezes ceda a ele, todavia, quando tenho que explica-lo, vejo como é rasa minha sapiência.
Desde os primórdios da história da humanidade, percebe-se o homem tentando explicar a origem do mal, seja atribuindo-o a seres sobrenaturais, seja atribuindo sua existência a alguma forma de agir, seja considerando-o uma entidade ou substância em si. Porém, ainda que não seja definido nem por religiosos, nem por filósofos ou ainda por qualquer outro tipo de sábio, através de qualquer forma de explanação, ou mito ou metáfora, eis aí o mistério do mal: quando se pensa nele sabe-se do que se trata, porém, quando se vai esclarecê-lo, até as ciências exatas e as humanas titubeiam. Analisemos algumas opiniões pertinentes sobre o mal, abaixo.

1.4.1.  O Mal segundo o Gnosticismo

Basicamente, não houve ou há gnosticismo, porém, varias formas houve e hão de gnosticismos. Entretanto, no fundamental encontra-se algo comum entre eles: creem que em todas as esferas da existência, física ou espiritual, há uma dualidade entre o bem e o mal, sendo sempre o bem ligado ao que é imaterial ou espiritual, enquanto o mal sempre se identifica e está naquilo que é material. Os gnósticos pensam no mal como uma substancia, algumas vezes até como um ser. Se assim o fosse, então, jamais como seres também corpóreos, seríamos bons em nossos corpos, que por serem maus e escravos da matéria, não tem condições de interagir com o bem, enquanto nesta forma de existência. E para alcançar “algum tipo de evolução”, por mínimo que seja nesta vida, se deveria abster-se de qualquer vontade da carne, privando-se de qualquer prazer desta vida, os quais se teriam através da matéria – o principal catalizador do mal. Assim, percebe-se que o gnosticismo prega que a arbitrariedade humana é totalmente escrava da carne, do mal presente na matéria, pois seres humanos tem sua porção material nesta existência, e esta porção material – a qual é a maior parte do ser humano – segundo o gnosticismo –  anula qualquer tipo de arbitrar ou liberdade humana, uma vez que nossa vontade estaria presa e sujeita a carne, a matéria, ao mal. O que sabemos ser um absurdo, uma vez que a Bíblia diz:

E Deus viu que tudo o que havia feito era muito bom. A noite passou, e veio a manhã. Esse foi o sexto dia. Genesis 1:31 – NTLH.

Assim, já os gnósticos percebiam as limitações do arbítrio humano, em função do mal, presente em todas as coisas.

1.4.2.  O Mal segundo Plotino:

O filósofo neoplatônico Plotino, apesar de algumas semelhanças em suas reflexões, nunca foi dualista gnóstico, pois ele mesmo certa vez formulou um tratado contra seitas gnósticas. Plotino em seu pensamento não reconhece um “mundo do mal”, com seus seres, que fosse adversário do “mundo do bem” e de seus seres. Então, para Plotino, precaver-se do mal, não é o mesmo que, aniquilar um “universo” para fazer surgir outro, pois o mal não é uma substância original. Logo, para Plotino, o mal nada tem de uma substância positiva, ou seja, "o mal não é senão o apequenamento da sabedoria e uma diminuição progressiva e contínua do bem". A alma que dizem prisioneira do mal é apenas uma alma que se ignora, ou nas palavras de Plotino: “uma luz mergulhada na bruma” – uma vez que a mesma seria boa. Muito depois de sua morte, os escritos de Plotino influenciarão sobremaneira a Agostinho, afastando-o de suas ideias maniqueístas dualistas.
De uma forma ou de outra percebemos também em Plotino, a ideia de que o arbítrio humano é limitado pela existência do mal ou ausência do bem, e concordamos com o mesmo em que o mal não é uma substância original, apesar de encontrar-se desde muito cedo na História da Criação, o que se vê na Hamartiologia, ou Teologia do Pecado. A Bíblia nos mostra que o mal ou o pecado, leva o ser humano a estar de frente com seu último inimigo: a morte. Isto limita e é um limite à sua arbitrariedade. A Bíblia diz:

Aquele que peca é que morre. O filho não sofrerá por causa dos pecados do pai, nem o pai, por causa dos pecados do filho. A pessoa boa será recompensada por fazer o bem, e a pessoa má sofrerá pelo mal que praticar. Ezequiel 18:20 – NTLH.

O último inimigo que será destruído é a morte. 1 Coríntios 15:26 – NTLH.

1.4.3.  O Mal segundo Agostinho:

Agostinho, em suas concatenações sobre o maniqueísmo transitou nas mais densas questões teológicas sobre o mal. Depois de sua conversão, ele escreve Solilóquios, afirmando sobre DEUS: “ELE é Aquele que mostra, para os que nele buscam o refúgio, aquilo que é realmente verdadeiro, que o mal é nada”. Assim, como Deus é O Criador de todas as coisas, e visto que a Bíblia diz que tudo o que foi criado por DEUS é bom, então, o mal não seria mais uma criação de DEUS, com existência autônoma de tudo o outro que fosse o bem. O mal é a privação do bem. Quando todo o bem desaparece, nada existe, nem mesmo o mal como substância. O mal é apenas ausência ou configuração errônea do bem. O mal seria uma imitação deturpada do bem, assim, o mal não seria algo criado, porém algo que imita uma coisa criada e, esta falsa criação, é apenas uma imitação do verdadeiro de alguma obra criada por DEUS. Assim, o mal só é removido quando algo bom, que perdeu sua natureza original é reformado à sua condição original. Percebemos aqui, também, a limitação da arbitrariedade humana – não há livre arbítrio: se o homem tem sua natureza original deturpada pelo mal, certamente isso não foi uma escolha originada em si, mas antes, teve uma influência externa e anterior a si mesmo, e se, todavia, o ser humano não consegue voltar sozinho a sua natureza original – a de ter sido imagem e semelhança de DEUS – mas precisa de DEUS neste processo, concluímos que, de uma ou outra forma, a arbitrariedade humana está sempre a serviços de algo anterior a si mesma que a conduz a um determinado ponto, portanto, o mal é um dos fatores que fazem o ser humano ser servo arbitrário.

1.4.4.  O Mal segundo Paul Ricoeur:

A Obra de Paul Ricoeur, que é extensa, lidou principalmente com o problema do mal em todas as suas nuances, portanto, embora não pudéssemos deixar de citá-lo, lembramos que falar do mal em Ricoeur daria no mínimo uma tese de doutorado, e fazer pequenas citações suas sobre o mal seria reducionismo. Assim, como não temos espaço para concatenarmos sobre a Obra de Ricouer, nos arriscaremos no pecar. Em Paul Ricoeur, o mal é: problema filosófico; é uma realidade que afeta a vida das pessoas e de toda humanidade. Para Paul Ricoeur, o mal é tão presente no dia-a-dia do ser humano, que sua arbitrariedade é totalmente comprometida pelo mesmo, ou seja, apesar de sua arbitrariedade, a pessoa no seu dia-a-dia depara-se com um número sem fim de proibições, coações, e regras, são muitos os “nãos” (não faça isso, não faça aquilo). De sorte que há mais proibições do que permissões para agir. E mesmo tendo concessões para agir, as mesmas não provêm de si, mas de outro que não é si mesmo, pois não se precisa de concessões de si mesmo para se agir, basta que se haja e pronto. E mesmo estas – o que se pode fazer – são reguladas pelo que não se pode fazer (se não fizer, vai pagar, vai ver o que acontece, podendo haver ameaças ainda maiores). Assim, nota-se a relevância do mal na vida das pessoas, tornando seu arbitrar servo das concessões ou proibições a sua volta. A Bíblia diz:

Obedeçam às autoridades, todos vocês. Pois nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas nos seus lugares por ele. Assim quem se revolta contra as autoridades está se revoltando contra o que Deus ordenou, e os que agem desse modo serão condenados. Somente os que fazem o mal devem ter medo dos governantes, e não os que fazem o bem. Se você não quiser ter medo das autoridades, então faça o que é bom, e elas o elogiarão. Porque as autoridades estão a serviço de Deus para o bem de você. Mas, se você faz o mal, então tenha medo, pois as autoridades, de fato, têm poder para castigar. Elas estão a serviço de Deus e trazem o castigo dele sobre os que fazem o mal. É por isso que você deve obedecer às autoridades; não somente por causa do castigo de Deus, mas também porque a sua consciência manda que você faça isso. Romanos 13:1 á 5 – NTLH.

2.     O Mal e o Servo Arbítrio.

2.1.                     O Mal desumaniza.

O ser humano foi criado a imagem[1] e a semelhança de DEUS. DEUS é bom, e o ser humano foi, assim como todo o resto da criação, criado bom[2]. Enquanto bom, o ser humano mantinha a semelhança com DEUS, logo, quanto mais o homem aproximava-se de sua semelhança com O DEUS bom, mais ser humano ele era. Quanto mais nos aproximamos de DEUS, não nos tornamos como DEUS, pois DEUS é inimitável, porém, nos tornamos mais seres humanos.
Gerado bom, e vivendo em um ambiente bom, o ser humano tinha serva arbitrariedade para existir, uma vez que DEUS já havia determinado um propósito para o mesmo, e o tal era glorioso – ter domínio sobre parte da criação. Todavia, nota-se a internomia, e não autonomia, do ser em sua escolha pelo mal, pois esta arbitrariedade pelo mal foi em função do que havia[3] apresentado para ele, e a partir daí ele “cai e torna-se caído”.
Assim, percebemos que o mal desumanizou e desumaniza o ser humano, o mal impede a humanização do ser humano, se não vejamos: o ser humano que pratica o mal, pouco está sendo humano, mas quando pratica um mal sobremodo atroz, então totalmente desumanizado está. E nesta desumanização percebemos a sua perda da imagem e semelhança com DEUS, bem como o afastamento Do Mesmo. Se antes de haver provado o mal, foi dado ao ser humano domínio sobre parte da criação, posteriormente, optando pelo mal, perde o controle sobre si mesmo tornando-se mal. A Bíblia diz:

Eu não entendo o que faço, pois não faço o que gostaria de fazer. Pelo contrário, faço justamente aquilo que odeio. Se faço o que não quero, isso prova que reconheço que a lei diz o que é certo. E isso mostra que, de fato, já não sou eu quem faz isso, mas o pecado que vive em mim é que faz. Pois eu sei que aquilo que é bom não vive em mim, isto é, na minha natureza humana. Porque, mesmo tendo dentro de mim a vontade de fazer o bem, eu não consigo fazê-lo. Pois não faço o bem que quero, mas justamente o mal que não quero fazer é que eu faço. Mas, se faço o que não quero, já não sou eu quem faz isso, mas o pecado que vive em mim é que faz. Romanos 7:15 á 20 – NTLH.

2.2.                    O Mal infecta.

A vontade é uma reação aos estímulos causados em nós através de nossos sentidos, porém, em meio á uma pluralidade de estímulos, bons e maléficos, podemos escolher os mais adequados, entretanto, só escolheremos os mais relevantes, e quase sempre, estes, não são os melhores, pois do contrário, se escolhêssemos os bons, certamente, não haveria tanto mal e sofrimento. É pela boa vontade que podemos levar uma vida boa e até louvável, e em algumas ocasiões quando até a levamos, nem sequer a merecemos, porquanto não somos em nossas atitudes realmente bons, nem totalmente puros, ou verdadeiramente destituídos de interesse próprio e egoísta. Nem sempre nossas melhores ações são impulsionadas por objetivos mais altruístas.
Por que será que somos assim? É por que somos infectados, contaminados e corrompidos pelo mal, e este nos limita em nosso arbitrar. Por exemplo: Há uma inclinação natural dos homens em buscarem a felicidade, e não existe sequer um homem que busque ter uma vida infeliz, é esta busca pela felicidade que move os homens e suas atividades. Contudo, percebemos que os meios que usamos, muitas vezes, para alcançarmos tal bem, mais uma vez, não são tão bons, e mesmo quando utilizamos meios realmente bons para alcançarmos o bem, ás vezes, não o conseguimos, ou se conseguimos, é possível também termos nos mesmos efeitos colaterais. Isto por que somos infectados pelo mal. E atores que atuam sob o contagio do mal, tem sempre resultados não perfeitos, não bons. A Bíblia diz:

Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um. Salmos 53:3 – ARC.

Mas todos caíram se desviando assim do caminho certo, e são igualmente corruptos. Não há mais ninguém que faça o que é direito, não há mesmo nem uma só pessoa. Salmos 53:3 – NTLH.
 
3.     Conclusão

Ainda em seu estado original, o ser humano sendo criado bom e vivendo em um ambiente bom, interagia benevolamente com O DEUS que é bom. Todavia, voluntariamente e pessoalmente em sua serva arbitrariedade, o ser humano fez uma escolha entre duas possibilidades[4], e assim deixou-se contaminar pelo mal. Se antes, incontaminado praticou tamanha aberração, que dirá agora infeccionado pelo mal: o mais proeminente estímulo em suas reações e atuações. Sim, o mal é um dos fatores que mais influenciam a serva arbitrariedade humana. Porém, há uma esperança para este mesmo ser humano caído. E esta esperança não é apenas um conceito, é, sobretudo, uma pessoa, e o nome dela é Jesus Cristo. A Bíblia diz:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus. João 3:16 á 21 – ARC.

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém! Mateus 6:9 á 13 – ARC.


  Aos(as) prezados(as)
Ósculos e amplexos

Pr. Marcelo GEsta



[1] Gênesis 1:26, 27 – E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. ARC.
[2] Gênesis 1:31 – E Deus viu que tudo o que havia feito era muito bom. A noite passou, e veio a manhã. Esse foi o sexto dia. NTLH.
[3] Gênesis 3:3 á 5 – Mas, do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Então, a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. ARC.
[4] Gênesis 3:3 á 5.